Rudy Salles, político:
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"Nasci em Nice e morei lá durante toda a minha vida. Fui deputado na assembleia nacional de Paris durante 30 anos e vice-presidente do Parlamento. Hoje sou vice-prefeito de Nice. Cuido da pasta do turismo, das relações internacionais e das festas."

Conte algo que não sei.

O carnaval de Nice é mais antigo e foi ele que inspirou o carnaval do Rio. Além disso, a grande figura histórica de Nice é Giuseppe Garibaldi e ele foi casado com uma brasileira, Anita Garibaldi. Quando festejamos o ano do Brasil na França, em 2009, fizemos um carro que trazia uma representação da Anita com os braços abertos em cima do Corcovado.

Como é o carnaval de Nice?

O carnaval de Nice começa no dia 17 de fevereiro e vai até o dia 3 de março. Este ano, o tema do conjunto dos carros alegóricos será o espaço. Ao mesmo tempo, é um carnaval muito político. Vamos ver caricaturas dos presidentes norte-americano e norte-coreano e, claro, dos políticos franceses. Temos também a Batalha das Flores. São 16 carros alegóricos jogando flores nas pessoas que, por sua vez, as jogam umas nas outras. É a batalha mais pacífica que existe (risos). Nessa época, ao contrário do Rio, estamos no inverno. Mas a temperatura fica entre 15 e 20 graus, e o céu está sempre azul, como aqui. E o mar também.

O carnaval por lá está crescendo?

Há quinze anos, o número de foliões só cresce. Temos um público muito diversificado, cada vez mais jovem. O carnaval lá é pago e as pessoas que se fantasiam entram de graça. Então, muitos jovens se divertem fantasiados. Por conta do crescimento do evento, queremos fazer uma Cidade do Carnaval por lá, aos moldes da Cidade do Samba daqui.

Existe um paralelo entre o carnaval do Rio e o de Nice?

É o mesmo espírito. Esses dois carnavais, na verdade, são muito ligados. Os carnavalescos se conhecem e trocam informações constantemente sobre os processos para a construção dos carros alegóricos. Quando eu vou à Cidade do Samba, aqui, me sinto em casa. A única diferença é a escala, que no Rio é muito maior.

Existe um acordo de segurança entre as duas cidades. Como é isso?

Temos a mesma preocupação com segurança que se tem aqui. Estamos procurando soluções que sejam boas para garantir a segurança de grandes eventos, como o carnaval. Assim como o Rio, Nice também abriga muitos eventos grandes. Temos sempre que pensar na melhor maneira de deixar o público seguro e, ao mesmo tempo, manter o espírito da festa.

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E como que está a cidade após o atentado de 2016?

Investimos 20 milhões de euros em segurança na orla da praia, que é a nossa Copacabana. Hoje, ela se tornou a avenida mais protegida do mundo. Fizemos um esforço para proteger todo e qualquer espaço público em dobro. Assim, as pessoas retomaram o gosto por sair e continuam festejando normalmente. Essa é a melhor resposta que podemos dar aos terroristas.

Aqui no Rio o maior problema do carnaval são os assaltos. Lá também existe ou já existiu esse problema?

Sabemos que esse é o maior problema do Rio. Em Nice, temos muito menos assaltos. Na Europa, o nosso problema de violência é o terrorismo. Aqui, como sabemos, a questão da violência é interna.

Como você convidaria brasileiros para passar carnaval em Nice?

Posso dizer que eles vão se sentir em casa, porque o espírito da festa carioca é o mesmo que mantemos por lá. Moradores de cidades com carnaval são diferentes. Temos comportamentos que são só nossos. Quando chegamos nessa época do ano, a prioridade é a festa. É assim em toda cidade com esse costume. Nessa sociedade difícil em que vivemos, quanto mais avançamos, mais precisamos do carnaval.

Rudy Salles, político: "Moradores de cidades com carnaval são diferentes"

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