BRASIL: Análise: Com Tillerson demitido, Casa Branca fica com um moderado a menos
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WASHINGTON — A demissão de Rex Tillerson do posto de secretário de Estado não foi surpresa: o plano da troca de chanceler havia sido antecipado no fim do ano pelos jornais americanos, e ele estava na geladeira há tempos. Mas indica que o governo de Donald Trump, mais uma vez, abre mão de vozes relativamente moderadas.

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A moderação de Tillerson não surtiu muito efeito. Ele nunca conquistou o apoio da diplomacia americana, que foi sucateada como nunca no governo Trump, com cortes de orçamento, debandada de profissionais e diversos cargos importantes vagos. Até mesmo a embaixadora americana na ONU, Nikki Haley — que fora escolhida por Trump antes do chanceler — tinha mais voz com o presidente. Tillerson divergiu publicamente de Trump, a quem teria chamado de "idiota", segundo fontes sigilosas da imprensa. A suposta ofensa fez Trump, em um tuíte, desafiá-lo a fazer um teste de QI para ver quem era o mais esperto.

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Quando o presidente anunciou que os Estados Unidos estavam saindo do acordo de Paris sobre mudanças climáticas, ele minimizou a demissão do chefe, dizendo que os Estados Unidos continuariam sua agenda de redução de emissão de gases do efeito estufa. Foi alijado do processo de reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel e viu Trump assumir o enfrentamento com a Coreia do Norte.

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O substituto de Tillerson, Mike Pompeo, também é considerado alguém com relativa experiência executiva e sério. Suas opiniões, como as de quase todo o planeta, são consideradas mais comedidas do que as de Trump, mas bem mais duras do que as de Tillerson. Pompeu, por exemplo, é a favor da saída americana do acordo nuclear com o Irã, firmado em 2015 por Barack Obama. Tillerson era contra.

Resta saber se ele poderá atuar ou se será outro nome desrespeitado por Trump, que viu nas relações externas o palco perfeito para exibir o nativismo populista que encanta sua base, ainda enamorada do presidente e do seu discurso "Estados Unidos primeiro".

Onze baixas que marcaram o governo Trump Conselheiro descumpriu lei americana e pediu demissão do cargo Foto: Carolyn Kaster / AP Michael Flynn O conselheiro de Segurança Nacional se demitiu do cargo após ser acusado de ter feito contatos com a Rússia antes da posse de Trump para discutir o levantamento de sanções de Washington a Moscou. Pela lei americana, ele não poderia ter tratado de assuntos diplomáticos antes de assumir o cargo. Donald Trump com seu indicado para a Secretaria do Trabalho, Andrew Putzer, em novembro de 2016 Foto: Carolyn Kaster / AP Andrew Puzder Indicado para o Departamento do Trabalho, desistiu da nomeação. No passado, ele contratara serviços domésticos de uma estrangeira em situação ilegal no país. O fato custou o apoio de parcela significativa dos senadores republicanos, enquanto os democratas o criticavam desde sua indicação. Viola visita a Trump Tower, em Nova York, em dezembro de 2016 Foto: ANDREW KELLY / Reuters Vincent Viola O fundador da financeira Virtu Financial e dono da equipe de hóquei Floria Panthers retirou sua candidatura para o cargo de secretário do Exército devido a entraves ligados a questões financeiras. Ele informou que não seria aprovado no processo de confirmação no Congresso devido às regras do Pentágono sobre conflitos de interesse. Trump e Christie em evento de campanha presidencial no estado de Nova Jersey, em maio de 2016 Foto: Mel Evans / AP Chris Christie Nem chegou até a posse. Trump o afastou do cargo de chefe da equipe de transição pouco após ter sido eleito. Segundo informações da imprensa, a saída dele teria sido motivada por influência de Jared Kushner, genro e assessor do presidente, e cujo pai fora condenado por crimes financeiros em Nova Jersey quando Christie era procurador-geral do estado. Philip Bilden tem empresa de investimentos Foto: Divulgação Philip Bilden Empresário e ex-agente de Inteligência Militar do Exército, o indicado para o cargo de secretário da Marinha retirou sua candidatura por questões de conflito de interesses. Ele afirmou que não teria como satisfazer os requerimentos do escritório de ética do governo sem prejudicar os interesses financeiros de sua família. Michael Dubke deixou cargo de Diretor de Comunicações após quatro meses de governo Trump Foto: Reprodução/Facebook Mike Dubke O diretor de Comunicação se demitiu da Casa Branca após três meses no cargo. O motivo não é conhecido, mas há relatos de que ele e a equipe de Trump não se alinharam. Dubke trabalhava estreitamente com o porta-voz Sean Spicer, mas não ficava nos bastidores. O porta-voz de Trump, Sean Spicer, fala durante um boletim na Casa Branca Foto: OLIVIER DOULIERY / AFP Sean Spicer O porta-voz do governo renunciou ao cargo logo após a escolha de Anthony Scaramucci para diretor de Comunicação da Casa Branca. Os motivos da demissão não foram esclarecidos, mas fontes disseram que ele dicordou veementemente da indicação de Trump. Foi substituído por Sarah Sanders, até então vice-porta-voz. O presidente dos EUA, Donald Trump, parabeniza o então chefe de Gabinete da Casa Branca, Reince Priebus, durante uma cerimônia em Washington Foto: CARLOS BARRIA / REUTERS Reince Priebus O chefe de Gabinete renunciou após ser alvo de duras acusações, dias antes, pelo novo diretor de comunicações da Casa Branca. Anthony Scaramucci afirmou que Priebus, ex-chefe do Comitê Nacional Republicano, seria o "vazador de informações" do governo, provocando uma tensão irreparável dentro do centro do poder. O diretor de comunicações da Casa Branca, Anthony Scaramucci Foto: Pablo Martinez Monsivais / AP Anthony Scaramucci Apenas 11 dias após assumir, o chefe de comunicações da Casa Branca Anthony Scaramucci deixou o cargo. O afastamento aconteceu no mesmo dia da nomeação de John Kelly como chefe de Gabinete do governo. Segundo fontes, a saída foi um pedido de Kelly. Foi a escolha de Scaramucci que havia levado Spicer a renunciar. Steve Bannon, estategista-chefe da Casa Branca Foto: Carolyn Kaster / AP Steve Bannon Considerado uma "eminência parda" da agenda mais nacionalista de Trump, o ex-chefe do site alt-right "Breitbart" foi estrategista-chefe da Casa Branca. No cargo, imprimiu sua marca em políticas anti-imigratórias e pró-nacionalistas de Trump. Mas perdendo espaço para assessores mais moderados e acabou demitido no meio de agosto. O secretário de Estado americano, Rex Tillerson Foto: JONATHAN ERNST / REUTERS Rex Tillerson O secretário de Estado foi demitido após meses de discordâncias com Trump e num momento crítico para a diplomacia americana, em que o governo se preparava para uma reunião com o líder norte-coreano Kim Jong-un. Foi subsituído por Mike Pompeo, até então diretor da CIA. BRASIL: Análise: Com Tillerson demitido, Casa Branca fica com um moderado a menos

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