Trump demite e substitui secretário de Estado, Rex Tillerson
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WASHINGTON - O presidente americano, Donald Trump, demitiu o secretário de Estado, Rex Tillerson, responsável pelas relações exteriores dos Estados Unidos, segundo anunciado na sua conta do Twitter. Ele nomeou o diretor da CIA, Mike Pompeo, para o cargo, e indicou uma mulher, Gina Haspel , para servir à direção da agência de Inteligência pela primeira vez.

"Mike Pompeo, diretor da CIA, será nosso novo secretário de Estado. Ele fará um trabalho fantástico! Obrigado a Rex Tillerson por seu serviço. Gina Haspel será a nova diretora da CIA, e a primeira mulher a ser escolhida. Parabéns a todos", escreveu Trump no Twitter.

Mike Pompeo, Director of the CIA, will become our new Secretary of State. He will do a fantastic job! Thank you to Rex Tillerson for his service! Gina Haspel will become the new Director of the CIA, and the first woman so chosen. Congratulations to all!

— Donald J. Trump (@realDonaldTrump) March 13, 2018

Tillerson, que estava em viagem oficial pela África, retornou ontem aos Estados Unidos antecipadamente, alegando questões de saúde. Um fonte do governo Trump disse ao jornal "New York Times" que a decisão de Trump aponta para a intenção de formar uma nova equipe antes da reunião com o líder norte-coreano Kim Jong-un, anunciada pelo presidente na semana passada. Um porta-voz do secretário demitido disse que Trump não falou pessoalmente com ele sobre a demissão.

"O secretário tinha toda intenção de permanecer por causa do progresso crítico feito em segurança nacional e outras áreas", indicou Steve Goldstein, subsecretário de diplomacia pública do Departamento de Estado, em comunicado. "Ele sentirá muita falta dos colegas no Departamento de Estado, e os ministros do Exterior com quem ele trabalhou ao redor do mundo. O secretário não falou com o presidente, e não está a par das razões. Ele é grato pela oportunidade de servir, e acredita fortemente que o serviço público é um chamado nobre."

DIVERGÊNCIAS

Por sua vez, Trump apontou publicamente nesta terça-feira, após a demissão, que tinha divergências com Tillerson, em particular sobre o acordo nuclear com o Irã.

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— Rex e eu nos damos muito bem, mas divergimos em coisas — disse Trump aos jornalistas. — O acordo com o Irã achei que era terrível, ele achou que estava bem. Eu queria rompê-lo, ou fazer algo, ele se sentia um pouco diferente. Então, realmente, não estávamos pensando do mesmo jeito.

Rumores de que Tillerson, ex-CEO da petroleira Exxon Mobil, sairia do governo começaram a surgir no ano passado. A relação Trump com o ex-secretário de Estado foi marcado por divergências sobre temas delicados da diplomacia americana, como o acordo nuclear com o Irã (Tillerson defendia a permanência dos Estados Unidos no acordo), a mediação entre Israel e os palestinos (o secretário demitido era contra o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel, e foi alijado da decisão) e a tensão nuclear com a Coreia do Norte (Tillerson defendia o diálogo com a Coreia do Norte, na época em que Trump ameaçava com "fogo e fúria"; depois, era a favor de preparação antes de aceitar o convite de Kim para uma cúpula).

Já Pompeo é considerado um falcão, favorável ao fim do acordo com o Irã. Os mercados não reagiram bem à notícia. O dolár americano retrocedeu depois da remoção de Tillerson.

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O Departamento de Estado já enfrentou uma série de impasses diplomáticos devido ao temperamento errático do presidente Donald Trump, indicando uma aparente falta de coordenação no governo. Na semana passada, Trump aceitou o convite de se reunir com o líder norte-coreano Kim Jong-un em maio, sem consultar as autoridades do ministério, que atualmente não apresenta quadro diplomático completo. Tillerson, que havia minimizado possibilidades de uma cúpula entre os dois líderes, admitiu ter ficado surpreso com a decisão de Trump, tomada pelo próprio presidente.

O funcionário americano designado para a Coreia do Norte, Joseph Yun, anunciou sua aposentadoria em fevereiro, e desde então não foi substituído. Há mais de um ano no poder, o governo Trump ainda não nomeou um embaixador para a Coreia do Sul. E o Senado ainda não confirmou quem será o diplomata de alto escalão responsável pelo Sudeste Asiático.

Onze baixas que marcaram o governo Trump Conselheiro descumpriu lei americana e pediu demissão do cargo Foto: Carolyn Kaster / AP Michael Flynn O conselheiro de Segurança Nacional se demitiu do cargo após ser acusado de ter feito contatos com a Rússia antes da posse de Trump para discutir o levantamento de sanções de Washington a Moscou. Pela lei americana, ele não poderia ter tratado de assuntos diplomáticos antes de assumir o cargo. Donald Trump com seu indicado para a Secretaria do Trabalho, Andrew Putzer, em novembro de 2016 Foto: Carolyn Kaster / AP Andrew Puzder Indicado para o Departamento do Trabalho, desistiu da nomeação. No passado, ele contratara serviços domésticos de uma estrangeira em situação ilegal no país. O fato custou o apoio de parcela significativa dos senadores republicanos, enquanto os democratas o criticavam desde sua indicação. Viola visita a Trump Tower, em Nova York, em dezembro de 2016 Foto: ANDREW KELLY / Reuters Vincent Viola O fundador da financeira Virtu Financial e dono da equipe de hóquei Floria Panthers retirou sua candidatura para o cargo de secretário do Exército devido a entraves ligados a questões financeiras. Ele informou que não seria aprovado no processo de confirmação no Congresso devido às regras do Pentágono sobre conflitos de interesse. Trump e Christie em evento de campanha presidencial no estado de Nova Jersey, em maio de 2016 Foto: Mel Evans / AP Chris Christie Nem chegou até a posse. Trump o afastou do cargo de chefe da equipe de transição pouco após ter sido eleito. Segundo informações da imprensa, a saída dele teria sido motivada por influência de Jared Kushner, genro e assessor do presidente, e cujo pai fora condenado por crimes financeiros em Nova Jersey quando Christie era procurador-geral do estado. Philip Bilden tem empresa de investimentos Foto: Divulgação Philip Bilden Empresário e ex-agente de Inteligência Militar do Exército, o indicado para o cargo de secretário da Marinha retirou sua candidatura por questões de conflito de interesses. Ele afirmou que não teria como satisfazer os requerimentos do escritório de ética do governo sem prejudicar os interesses financeiros de sua família. Michael Dubke deixou cargo de Diretor de Comunicações após quatro meses de governo Trump Foto: Reprodução/Facebook Mike Dubke O diretor de Comunicação se demitiu da Casa Branca após três meses no cargo. O motivo não é conhecido, mas há relatos de que ele e a equipe de Trump não se alinharam. Dubke trabalhava estreitamente com o porta-voz Sean Spicer, mas não ficava nos bastidores. O porta-voz de Trump, Sean Spicer, fala durante um boletim na Casa Branca Foto: OLIVIER DOULIERY / AFP Sean Spicer O porta-voz do governo renunciou ao cargo logo após a escolha de Anthony Scaramucci para diretor de Comunicação da Casa Branca. Os motivos da demissão não foram esclarecidos, mas fontes disseram que ele dicordou veementemente da indicação de Trump. Foi substituído por Sarah Sanders, até então vice-porta-voz. O presidente dos EUA, Donald Trump, parabeniza o então chefe de Gabinete da Casa Branca, Reince Priebus, durante uma cerimônia em Washington Foto: CARLOS BARRIA / REUTERS Reince Priebus O chefe de Gabinete renunciou após ser alvo de duras acusações, dias antes, pelo novo diretor de comunicações da Casa Branca. Anthony Scaramucci afirmou que Priebus, ex-chefe do Comitê Nacional Republicano, seria o "vazador de informações" do governo, provocando uma tensão irreparável dentro do centro do poder. O diretor de comunicações da Casa Branca, Anthony Scaramucci Foto: Pablo Martinez Monsivais / AP Anthony Scaramucci Apenas 11 dias após assumir, o chefe de comunicações da Casa Branca Anthony Scaramucci deixou o cargo. O afastamento aconteceu no mesmo dia da nomeação de John Kelly como chefe de Gabinete do governo. Segundo fontes, a saída foi um pedido de Kelly. Foi a escolha de Scaramucci que havia levado Spicer a renunciar. Steve Bannon, estategista-chefe da Casa Branca Foto: Carolyn Kaster / AP Steve Bannon Considerado uma "eminência parda" da agenda mais nacionalista de Trump, o ex-chefe do site alt-right "Breitbart" foi estrategista-chefe da Casa Branca. No cargo, imprimiu sua marca em políticas anti-imigratórias e pró-nacionalistas de Trump. Mas perdendo espaço para assessores mais moderados e acabou demitido no meio de agosto. O secretário de Estado americano, Rex Tillerson Foto: JONATHAN ERNST / REUTERS Rex Tillerson O secretário de Estado foi demitido após meses de discordâncias com Trump e num momento crítico para a diplomacia americana, em que o governo se preparava para uma reunião com o líder norte-coreano Kim Jong-un. Foi subsituído por Mike Pompeo, até então diretor da CIA. IRONIA DA RÚSSIA

O governo russo ironizou nesta terça-feira a notícia da demissão do secretário de Estado americano e perguntou se a Rússia voltará a ser acusada, como acontece com a denúncia de interferência nas eleições presidenciais dos EUA.

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— Ninguém acusou até o momento a Rússia de ser responsável pelas mudanças de posto em Washington? — questionou a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Maria Zakharova.

De acordo com o serviço de Inteligência americano, o Kremlin realizou uma operação coordenada e planejada para influenciar as eleições presidenciais de 2016 a favor de Trump, através das redes sociais e da divulgação de notícias falsas. Moscou nega as acusações.

Antes de integrar o governo americano, Tillerson trabalhara estreitamente com a Rússia durante quase 20 anos, como CEO do grupo ExxonMobil, o que o levou a ter reuniões regulares com o presidente russo, Vladimir Putin. Apesar das promessas de reconciliação de Trump, as relações entre Moscou e Washington se deterioraram desde a eleição do republicano, sobretudo pelas acusações de interferência nas eleições.

BRASIL: Trump demite e substitui secretário de Estado, Rex Tillerson

Con Información de OGlobo

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