Trump troca secretário de Estado por diretor da CIA
expresso / Rex Tillerson já não é chefe da diplomacia dos Estados Unidos. O secretário de Estado (equivalente a ministro dos Negócios Estrangeiros) foi demitido hoje por Donald Trump, que colocou no seu lugar o até agora diretor da CIA, Mike Pompeo. O Presidente garantiu na rede social Twitter, onde anunciou a substituição, que o novo secretário de Estado irá fazer "um trabalho fantástico". Também agradeceu a Tillerson pelo seu trabalho.

Para o lugar de Pompeo vai Gina Haspel, a primeira mulher a chefiar a agência de espionagem, como frisou Trump no seu Tweet. As duas novas nomeações ainda terão de ser confirmadas pelo Senado.



Ver Twitter Eram conhecidas as divergências entre Rex Tillerson e o Presidente norte-americano

SAUL LOEB / AFP / Getty Images

Tillerson, que durou pouco mais de um ano no cargo, teve várias divergências públicas com Trump. Esta semana o agora ex-secretário de Estado distanciou-se da displicência com que a Casa Branca tratou o caso do espião russo Sergei Skripal, envenenado no Reino Unido. "Temos plena confiança na investigação britânica e na sua avaliação de que a Rússia foi a provável responsável", afirmou, louvando o discurso muito duro da primeira-ministra Theresa May sobre o assunto. A porta-voz de Trump, Sarah Sanders, recusou-se repetidas vezes a atribuir repsonsabilidades a Moscovo.

Um rol de discrepâncias Quando, na passada sexta-feira, Trump anunciou a sua disponibilidade para se encontrar com o líder norte-coreano, Kim Jong-un, Tillerson estava em África e foi apanhado de surpresa. O Presidente indicara não ter grande fé nas negociações com Pyongyang, nomeadamente quando, no verão passado, Tillerson disse a jornalistas estar a tentar encetá-las. Hoje um porta-voz da Casa Branca explicou que Trump queria uma nova equipa para as conversações iminentes.

Também no tocante ao acordo sobre o programa nuclear iraniano, que o Presidente se negou a revalidar, o agora demitido Tillerson tinha opinião diferente. O momento mais grave surgiu quando a NBC News afirmou que Tillerson chamara "idiota" [ moron , no original] a Trump. O então secretário de Estado deu uma conferência de imprensa a reafirmar seu apoio ao Presidente.

O agora demitido também se distanciou da tolerância de Trump para com os supremacistas brancos (racistas) de Charlottesville, no ano passado, e esteve contra a saída do país do Acordo de Paris sobre as alterações climáticas.

Antigo executivo da petrolífera Exxon Mobil, Tillerson foi uma escolha invulgar, sem experiência política, apesar de ter pela via empresarial contactos com o Presidente russo Vladimir Putin e dirigentes do Médio Oriente. A falta de entusiasmo de Trump pelo seu subalterno foi visível na não nomeação de titulares para centenas de cargos do Departamento de Estado, que o Presidente quis expressamente encolher, e na aposta em reduzir a presença externa dos Estados Unidos.

Tillerson junta-se, na lista de baixas da Administração Trump, a nomes como Michael Flynn (ex-conselheiro de segurança nacional), Reince Priebus (ex-chefe de gabinete), Stephen Bannon (ex-estratega-chefe), Sean Spicer (ex-porta-voz) e Tom Price (ex-secretário da Saúde).

Elogios a Pompeo Num comunicado, Trump elogiou o novo secretário de Estado frisando que foi elogiado "por ambos os partidos [Democrata e Republicano]" enquanto diretor da CIA. Segundo "The New York Times", Pompeo terá causado boa imrpessão nas reuniões semanais na Casa Branca, embora também tenha admitido a ingerência russa nas presidenciais de 2016, que Trump desmente.

Antigo congressista do Partido Republicano e com formação militar em West Point, ex-aluno da Universidade de Harvard, Pompeo é um opositor do acordo com Teerão, ao contrário de Tillerson.

Passado questionável de Haspel Quanto a Haspel, é uma veterana da CIA. Foi criticada pelo seu papel no programa de tortura que a agência levava a cabo nos tempos de George W. Bush (2000-2008]. No ano passado, só uma intervenção do Departamento de Justiça impediu que fosse chamada a depor em tribunal. Ao aceitar a nomeação, lembrou os seus 30 anos de experiência na CIA.

Entre 2003 e 2005, a agora diretora da CIA chefiava o programa de raptos e interrogatórios com "métodos reforçados" a suspeitos de terrorismo. Foi acusada de colaboração na destruição de provas relativas ao inquérito a Abu Zubaydah e Abd al-Rahim al-Nashiri, suspeitos de terrorismo que foram torturados, este último na sua presença. Trump deu sinais, ao longo da campanha que o levou à Casa Branca, de que a tortura o não incomodava.

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